5ª parte - Como enfrentar o sonambulismo

12 de junho de 2014, escrito por Redação i3i, na categoria Saúde

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Caminhar durante a noite pelos cômodos da casa e fazer tarefas comuns como escovar os dentes e sentar na sala para ver televisão enquanto se está dormindo são relatos que podem soar engraçado para muitos, mas tornam-se uma rotina cansativa para quem é sonâmbulo. Uma jornada extra que estressa os companheiros e familiares e acaba até por comprometer o desempenho no trabalho. Alguns trocam de roupa, abrem janelas e gavetas, alimentam-se e vão ao banheiro, enquanto outros até saem de casa. Durante a execução de todos esses movimentos, a expressão facial é estática, e o indivíduo mantém os olhos abertos e fixos. Geralmente, este distúrbio do sono vem acompanhado de outro, chamado sonilóquio, que são as falas desconexas durante a noite.


Pacientes envolvem-se em situações cômicas durante a madrugada

O transtorno é bastante comum em crianças, mas pode afetar adultos. “É um problema que se manifesta na infância e caracteriza-se por uma imaturidade cerebral e, com o passar dos anos, vai se tornando menos intenso”, explica o neurologista Geraldo Rizzo, especialista em Medicina do Sono. Contudo, há casos de pessoas que seguem sonâmbulos mesmo na fase adulta. O especialista explica que os casos em que o problema começa na fase adulta exigem mais atenção por, geralmente, estarem associados a outros problemas neurológicos.

O sonambulismo acaba criando situações constrangedoras e até engraçadas. É o caso da paciente N.C., de 34 anos. O distúrbio iniciou quando ainda era criança e segue até hoje, mas em menor intensidade. Um dia, quando tinha 17 anos, sua mãe encontrou-a de quatro na cama latindo para a parede. Apesar de virar motivo de piada, o sonambulismo também preocupa. Ela conta que chegou a sair de casa de pijama, acordando apenas com as luzes da rua. “Quando se acorda, dá um medo muito grande”, conta ela, que até hoje fala dormindo. Sua irmã também passou por alguns episódios. Aos cinco anos, caminhou até a cozinha abriu um banco onde se guardavam mantimentos como se fosse uma privada e urinou sobre eles. Ela relata ser difícil evitar o problema, mas que está acostumada a conviver com ele, principalmente nos dias em que está mais agitada. Contudo, em algumas manhãs, acorda com a sensação de ter se  movimentado a noite toda. “Saio da cama exausta e passo o dia muito cansada”, reclama , admitindo que nunca procurou ajuda médica.

O sonambulismo é o que os médicos chamam de uma parassonia, a pessoa está em um estado de interseção entre a vigília e o sono profundo. “Se está mais ou menos desperto, mas se está em sono”, explica Rizzo. Por isso, alega ele, os sonâmbulos não lembram do que fizeram durante o sonambulismo só no momento em que são acordados. E ele alerta: o mito de não acordar o sonâmbulo não é brincadeira. O especialista recomenda que não se desperte um sonâmbulo sob risco de provocar muita agitação e até de que ele se machuque. “O certo é conduzi-lo à cama. Ele voltará a dormir e não terá lembranças”.

Os episódios, que geralmente ocorrem no primeiro terço da noite, duram de alguns segundos até 20 minutos, mas já foram registrados casos raros com duração entre 30 e 40 minutos. O diagnóstico de sonambulismo é feito por meio de relatos e de um exame de polissonografia, onde se tenta atestar o transtorno. O tratamento depende de caso para caso e varia de acordo com o incômodo que as ocorrências geram ao paciente. Rizzo explica que se pode optar por tratamentos com medicação nos modelos de ansiolíticos e antidepressivos.

Estima-se que 5% da população sofra de sonambulismo. Entre as crianças, este índice sobe para 10%. 


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Tags: Os Mistérios do Sono,

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