Eletrodo combate a obesidade mórbida

29 de abril de 2014, escrito por Redação i3i, na categoria Saúde

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Equipamento foi instalado do cérebro de paciente e conta com marca-passo acoplado

Eletrodos de menos de dois milímetros de diâmetro implantados no cérebro poderão se tornar a nova arma da medicina contra obesidade mórbida. O experimento inédito foi testado no dia 22 de abril, no Hospital do Coração (HCOR), em São Paulo, no primeiro paciente, de um total de seis, pelos neurocirurgiões Alessandra Gorgulho e Antonio de Salles, professores na Universidade da Califórnia (EUA). Os médicos instalaram eletrodos na região do hipotálamo nos lados direito e esquerdo. Eles foram acoplados por um conector que desce para trás da região da orelha através de um túnel subcutâneo. Aliado a tudo isso, há uma espécie de marca-passo com uma bateria de cinco anos de duração, capaz de regular os estímulos cerebrais relacionados aos atos de comer e beber.

A região do hipotálamo responde pelo comando da sede e da fome, assim como é importante para as funções de reação de luta e fuga, excitação sexual e ritmo cardíaco. Apesar de não acreditar nos efeitos colaterais da cirurgia, Alessandra, que também é diretora de Assuntos Clínicos e Pesquisa de Neurociência do HCOR, afirma que uma equipe multidisciplinar acompanhará os pacientes. “Nosso objetivo é verificar na fase 1 a viabilidade ou tolerabilidade da estimulação elétrica crônica”, observa a pesquisadora. Em maio, o paciente retornará para acionamento do estimulador. Concluída a fase inicial, de verificação da tolerância do paciente, estimada em um ano, inicia-se a seguinte, com a análise das reações de 30 a 35 pacientes, para somente depois vir a fase 3, com um número maior ainda.

Por isso, ela é categórica ao afirmar que se trata de uma solução de longo prazo e uma alternativa à cirurgia bariátrica, que combate a obesidade por meio de corte ou segregação do estômago. Como os eletrodos vêm sendo utilizados em pacientes com Parkinson para outra finalidade, acredita-se que isso dê mais confiança e segurança para a pesquisa.

O neurocirurgião Paulo Oppitz, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), vê o experimento com bons olhos, mas pede cautela quanto aos resultados. A obesidade mórbida é considerada uma doença crônica de difícil tratamento, afeta mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo e é resultado de uma dieta hipercalórica com uma vida desregrada e sem prática de exercícios físicos. Costuma provocar uma série de doenças a reboque, como hipertensão, diabetes, apneia, doenças cardiovasculares e câncer.

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Tags: Obesidade,

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