4ª Parte - Entenda a Síndrome das Pernas Inquietas

05 de junho de 2014, escrito por Redação i3i, na categoria Saúde

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Uma angustiante necessidade de movimentar as pernas quando se está em repouso, assim pode ser descrita a sensação de incômodo que impede quem sofre de Síndrome das Pernas Inquietas (SPI) de dormir. Os sintomas deste transtorno do sono geralmente são noturnos e atingem 10% da população idosa em todo mundo, podendo também acometer pessoas de outras faixas etárias. Já na população geral, a prevalência é de 5%. Apesar da alta taxa de incidência, a doença ainda é pouco diagnosticada, mas tem tratamento.


Desconforto nas pernas à noite acomete 10% da população idosa. Foto: ©istock.com/William Perugini

Entre as dificuldades está descrever os sintomas, que podem ser definidos como agonia, ansiedade e nervosismo nos membros inferiores até queimação, dormência ou coceira, sempre nas pernas. Segundo o neurologista e especialista em medicina do sono, Geraldo Rizzo, os pacientes geralmente pontuam quatro ocorrências: estou em repouso, tenho um mal estar nas pernas, à noite, que alivia com o movimento. O distúrbio está associado a fatores genéticos em 50% dos casos, mas não há pesquisas que comprovem uma causa definida. O que se sabe é que há uma relação com a metabolização do ferro, o que pode fazer com o problema venha acompanhado de uma anemia, por exemplo. 

O diagnóstico é feito pelo relato do paciente e pode ser complementado por um exame de polissonografia. De acordo Rizzo, especialista em SPI, o problema deixa muita gente sem dormir e, muitas vezes, precisa ser tratado com medicamentos, já que os sintomas variam de leves a intoleráveis. Contudo, alerta ele, todo o distúrbio de sono também pode ser amenizado com um tratamento comportamental. Aí entra a higiene do sono: dormir sempre no mesmo horário; evitar assistir televisão no quarto e o consumo de chocolate, café ou chimarrão à noite; manter o quarto escuro, etc. Estes e outros bons hábitos ajudam a diminuir os sintomas.

Foi assim que Bianca Kronbauer conseguiu contornar a SPI, que, no seu caso, surgiu na adolescência. Só uma década depois, aos 29 anos, ela descobriu que tinha o distúrbio. O desconforto, que até então era eventual, se agravou diante de problemas familiares, tornando-se quase que constante. “Não conseguia dormir porque não conseguia parar de mexer as pernas. Era desesperador”, recorda. Em uma situação de crise, chegou a ter os sintomas inclusive nos braços e até mesmo durante o dia, o que é mais incomum. Certa vez, no cinema, não conseguiu ver um filme de três horas de duração. “Foi uma tortura ficar sentada, tentando prestar atenção sem conseguir.”

Para confirmar o diagnóstico de SPI, Bianca fez uma polissonografia, exame no qual o paciente dorme na clínica e, por meio de eletrodos, tem os movimentos monitorados. Chegou a fazer tratamento medicamentoso durante um ano com dopamina – o mesmo remédio usado para tratar o Mal de Parkinson-, porém em dose bem menor. Depois, conseguiu tirar a medicação e conviver com os sintomas, que diminuíram de intensidade, mantendo bons hábitos. Quando percebe que poderá ter dificuldade de dormir, toma um comprimido.

Estudos sobre a SPI

A Síndrome das Pernas Inquietas (SPI) foi tema de apresentação de médicos brasileiros no Congresso da Academia Americana da Medicina do Sono, no final de maio, em Minneapolis, no estado do Minnesota (EUA). Geraldo Rizzo levou ao evento o consenso brasileiro sobre a doença, que reúne uma espécie de protocolo de atendimento realizado no país. Entre os apontamentos, que contaram com a colaboração de dezenas de neurologistas de todo o Brasil, está uma lista de termos que ajudam os médicos a diagnosticar o problema. Devido à extensão do Brasil, o mal estar é descrito de diferentes formas. Por exemplo, enquanto a maioria dos pacientes brasileiro relata uma coceira nas pernas, no nordeste a referência é de “um farnizim”. O documento também pontua os melhores medicamentos de acordo com os médicos brasileiros para tratar a doença, já que não há rótulos específicos para a SPI disponíveis no Brasil.

Curiosidades: 

- Sabe-se que a prevalência de SPI aumenta com a idade, mas, em cerca de um a dois terços dos pacientes, os primeiros sintomas ocorrem antes dos 20 anos de idade. 
- É uma desordem do sistema nervoso central. Não é causada por fatores psiquiátricos nem por estresse, mas os mesmos podem contribuir para o seu agravamento.
- Outro grupo afetado pela SPI são as mulheres grávidas: cerca de 19% apresentam os sintomas, que podem ser severos mas se resolvem logo após o fim da gestação.
- Insuficiência renal: esses pacientes acumulam compostos tóxicos que levam a alterações nos nervos periféricos gerando os sintomas da SPI.
- Medicamentos: algumas publicações relacionaram o uso de alguns tipos de antidepressivos com a SPI.

Faça o teste e descubra se você tem SPI

A Associação Brasileira do Sono sugere observar os parâmetros abaixo e verificar se você apresenta sintomas de SPI. Em caso positivo, procure um especialista em distúrbios do sono para diagnosticar a doença.

- Antes de dormir, você desenvolve uma desagradável sensação de arrepio ou arrastamento de suas pernas;
- Para aliviar esta sensação, você se levanta e caminha, dobra as pernas, flexionando o joelho, toma um banho quente ou frio, faz massagem em suas pernas, ou executa alguma outra atividade;
- Você desenvolve esta desagradável sensação de arrastamento ou irresistível vontade de movimentar as pernas quando se senta por um período de tempo, como quando assiste televisão ou um filme, andando no carro, assistindo teatro, em seu lugar de adoração, ou participando em uma reunião;
- As sensações lhe aborrecem toda noite;
- Nenhuma avaliação médica revelou a causa para suas sensações;
- Você tem parentes ou familiares que sofrem com estas mesmas sensações;
- Seu ou sua companheiro(a) relata que você empurra suas pernas (ou seus braços) quando adormece; e, às vezes, você tem movimentos involuntários das pernas quando está acordado(a);
- Você tem frequentemente desconforto dormindo ou ficando adormecido;
- Você frequentemente se sente cansado(a) inclusive durante o dia.


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Tags: Os Mistérios do Sono,

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