16ª parte - Narcolepsia: uma vontade irresistível de dormir durante o dia

28 de agosto de 2014, escrito por Redação i3i, na categoria Saúde

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Viver com sono é comum em certas fases da vida, principalmente na adolescência. Neste período, os jovens costumam trocar o dia pela noite e vão, não raro, até tarde navegando pela Internet. Contudo, existe uma doença difícil de ser diagnosticada chamada narcolepsia, que se caracteriza exatamente por ataques de sono durante o dia. A pessoa dorme no trabalho e até dirigindo. “Para quem precisa desempenhar tarefas, é incapacitante”, afirma o especialista Denis Martinez, da Clínica do Sono. Segundo o médico, no trabalho, por exemplo, o paciente passa até por preguiçoso, mas é preciso compreender que é uma doença extrema.


Portadores desse distúrbio do sono enfrentam problemas no trabalho e chegam a ser taxados de preguiçosos

Nos casos mais graves de narcolepsia, a sonolência diurna excessiva faz até com que o indivíduo caia no chão enquanto está caminhando, pois perde totalmente as forças. O sono dura de poucos segundos até alguns minutos. Este é o único sintoma específico da narcolepsia, chamado de cataplexia. Contudo, ele não está presente em todos os casos da doença. Às vezes, a pessoa não chega a cair, apenas faz o movimento de dobrar os joelhos. Já os episódios incontroláveis de sono característicos da narcolepsia podem ocorrer várias vezes ao dia. O ciclo de sonolência tem duração de cinco minutos a uma hora e meia. 

Para diagnosticar a narcolepsia, é preciso fazer um exame chamado teste múltiplo de latência ao sono. Segundo Martinez, a doença é desencadeada por um “defeito” no sono REM – que é o estágio em que ocorrem os sonhos e o maior relaxamento de toda a musculatura do corpo. Nas pessoas normais, o sono REM só inicia uma hora e meia depois que dormem. “Este exame mostra que a pessoa sonha durante pequenos cochilos”, explica o especialista. A narcolepsia é uma doença autoimune, já que o organismo faz anticorpos contra os neurônios da orexina, responsáveis por manter a vigília. “Na hora destes neurônios entrarem em ação, eles não aparecem porque foram mortos”, detalha Martinez.

Há algumas opções de medicamento para tratar a narcolepsia, como o Modafinil, Stavigile e, em alguns casos, Ritalina. "Com o tempo, a pessoa se acostuma e aprende a conviver com a doença”, avalia o médico. Entre as recomendações estão os pequenos cochilos durante o dia. A narcolepsia é um distúrbio do sono que começa entre os 14 e 20 anos, mas permanece pela vida toda. Assim ocorreu com a publicitária Ramylle Reis, 22 anos, que mora em Vitória da Conquista, na Bahia. Ela começou a perceber os sintomas aos 15 anos. "Nunca achei que seria um problema de saúde, muito menos incurável", conta. Já cochilou no computador, no ônibus em pé, em meio a palestras, no cursinho e até em meio a refeições. "Até andando, certa vez, eu estava tão exausta que caminhava e sentia que estava começando a dormir", relata.

Ela chegou a largar o curso de música, para apenas trabalhar e estudar e diminuir o volume de afazeres durante o dia. Depois, também largou o estágio como jovem aprendiz e ficou só com os estudos, mas não adiantou. Até que o distúrbio do sono começou a afetar seu rendimento em sala de aula e ela começou a ficar preocupada realmente. "Mas até procurar ajuda médica resisti por dois anos no emprego, até que chegou a um ponto insuportável, sentia muito sono e cansaço", recorda Ramylle. Oficialmente, ela diagnosticou a narcolepsia há seis meses em consulta com especialista, laudo que foi confirmado por exame. Como ela apresentou reação alérgica aos medicamentos específicos para a doença, a alternativa de tratamento foi a Ritalina.

Embora o remédio proporcione mais disposição e ative o estado de vigilia - a pessoa fica em alerta, acordada - é preciso modificar hábitos e fazer adaptações na rotina. "Com o tempo acabamos nos adaptando ao problema naturalmente, criando estratégias, digamos que de sobrevivência, no dia a dia, como dormir uns minutos antes de ir a algum lugar. Bastam sonos de 10 a 15 minutos para ficar renovada. Com isso podemos ter uma qualidade de vida praticamente normal", afirma Ramylle. Segundo ela, como a doença é ainda desconhecida pela maior parte das pessoas, quem sofre de narcolepsia demora a perceber que tem algo errado. "Percebemos mesmo quando el a começa a nos atrapalhar não só profissionalmente como na vida social, pois gera muito constrangimento", avalia. A narcolepsia afeta uma a cada 10 mil pessoas. Na Clínica do Sono, que contabiliza 32 mil pacientes em 30 anos, são aproximadamente 150 casos.


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Tags: Os Mistérios do Sono,

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