O que podemos ensinar às crianças

24 de junho de 2014, escrito por Redação i3i, na categoria Vivendo e aprendendo

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Vivemos em uma época em que um dos verbos mais conjugados quando se fala em educação é o delegar. Quando um casal decide ter um filho, a decisão seguinte é a quem ele será delegado: irá para escolinha ou ficará com uma babá? A sociedade moderna não consegue abrir mão de seus próprios projetos para educar uma criança no seio da família e, muitas vezes, não tem condições para isso. Quando chega à fase pré-escolar, é a vez de delegar aos professores a retiradas das fraldas, o ensinar a pegar os talheres, comer de boca fechada, dizer por favor e muito obrigada. E, quando se iniciam a alfabetização e as primeiras contas matemáticas, os pais simplesmente delegam a responsabilidade a professores, nem todos capacitados para isso. Uma realidade cruel e que muitas vezes nem é alvo de reflexão das famílias. Simplesmente se faz assim porque muitos fazem assim, e pronto. Um pecado com o futuro do Brasil.


Pais atuantes representam upgrade considerável na educação dos filhos

Nesse cenário onde nossos filhos são educados em escala industrial e os conhecimentos apresentados repletos de ideologias, há pessoas que resistem ao modelo, que chamam para si a responsabilidade de gerar cidadãos diferentes, muitas vezes não diplomados, mas repletos de conhecimento da vida e sobre a vida. Afinal, o que é mais importante nessa passagem? Emoldurar diplomas na parede ou levar consigo para qualquer lugar experiências ricas e repletas de emoção. É o que nos ensina um vídeo que virou febre na internet, onde o jovem Logan LaPlante fala sobre como o homeschooling (educação em casa) forjou seu futuro. O vídeo sensibilizou a equipe do i3i a produzir reportagens sobre o tema. Afinal, como podemos educar nossos filhos em casa? O que é realmente importante que eles aprendam? O que queremos do futuro? 

No Brasil, há famílias que, há décadas, já aderiram ao movimento homeschooling com o objetivo de oferecer a seus filhos algo mais.  Um dos pais que resolveu estudar o assunto foi o empresário Winston Ling. Ele conta que conhece muitos jovens que foram criados com uma educação diferente do modelo convencional brasileiro e garante que levam uma vida destacada. “A educação no mundo em geral caiu de nível como resultado da massificação. As famílias até fazem esforço para complementar o ensino com atividades extraclasse como piano, ballet e aulas particulares.  Mas os pais não querem se incomodar. Dá trabalho se meter na educação dos filhos”.

Atualmente residindo na China, ele compara as diferenças entre a forma de educar adotada no Brasil e no oriente. Lá, conta ele, como cada casal só tem um filho, para cada criança há seis adultos que podem se dedicar à sua educação. O que mostra a importância dos avós na formação dos netos. “Todos os sonhos da família estão naquela criança. Há um expressivo envolvimento dos avós. O pai e a mãe vão trabalhar e os avós dividem as tarefas e estão ensinando a ler, contando história”, explica.

Entusiasta de uma educação diferenciada baseada em coisas simples como ler um bom livro para as crianças e instigar o conhecimento matemático por meio de jogos, ele reforça que os pais precisam chamar a responsabilidade “do educar” para dentro da família. “As famílias ricas são as que têm as crianças mais estragadas e menos cuidadas. Quem dá importância para a educação é  a classe média. É a classe media que investe no extracurricular.”

História – Há poucos séculos, o homeschooling era uma prática corriqueira. As famílias reuniram seus filhos, sobrinhos e parentes, angariavam alguns vizinhos e criavam grupos de estudos multi-idade orientados por um tutor. Muitas vezes, os próprios pais ou avós realizavam as aulas à noite após o jantar.  Um modelo que permitiu a artistas, escritores e pintores de renome dos séculos passados começarem a produzir por volta dos 16 anos e deixarem uma obra vasta e rica mesmo morrendo tão cedo, como Vincent van Gogh, que viveu apenas 37 anos mais deixou um legado à humanidade. Com a institucionalização de escolas e currículos definidos, o homeschooling caiu em desuso.

O conceito ressurgiu nos Estados Unidos há cerca de 40 anos ligado a comunidades religiosas. Depois de muita resistência, ele hoje é aceito e validado geralmente por testes que variam de acordo com o estado norte-americano. Apesar de também ser autorizado em diversos países, como Canadá, Austrália e França, o homeschooling não é reconhecido no Brasil. Contudo, há  registros de posições favoráveis como a do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça, Domingos Netto, quando estava na ativa em 2005. Em parecer, ele citou a Constituição de 1988, onde está explícito que a responsabilidade de educar é do estado e das famílias . “Se os pais pretenderem educar seus filhos em casa, competirá ao Estado apenas fiscalizar as atividades da família para garantir que a educação ofertada, efetivamente, possibilite o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho, assegurada a formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e religiosos, nos termos do artigo 210 da Constituição Federal”, ponderou o jurista, falecido em novembro de 2005.

Se o homeschooling não é aceito no Brasil em sua forma plena, resta às famílias adotarem estratégias que permitam garantir um diferencial a seus descendentes. Winston Ling informa que o homeschooling deve ser visto como um processo continuado e aconselha aos pais que estão preocupados com a educação de seus filhos a tentarem alfabetizar as crianças em casa, investir em atividades extracurriculares e, mais simples ainda,  ler livrinhos que instiguem o desejo de aprender. “Só isso dá um efeito que a criança nunca vai se esquecer. Ela está aprendendo que é um privilégio aprender”.
  
Ofereça algo diferente a seu filho ou neto

- A mente das crianças é como uma esponja. Por isso, quanto mais conhecimento ela receber mais informações terá e mais áreas do cérebro serão desenvolvidas. Preocupe-se em oferecer informações no dia a dia por mais elementares que elas pareçam. Por exemplo, quando servir uma refeição, nomine os alimentos e suas classes. Conte histórias sobre eles, como a do salmão que volta para o lugar onde nasceu para se reproduzir.
- Evite programas de massa, como assistir sempre aos mesmos desenhos animados de tevê ou ir ao shopping. Isso não quer dizer que eles estão proibidos, mas que contribuem muito pouco para a formação de um cidadão esclarecido.
- Cuide o que a criança aprende na escola, quem está em contato com ela e o que assiste na internet e na tevê. Você é responsável por isso, não quem produz um conteúdo ou um ensino de baixa qualidade.
- Opte por oferecer programas diferenciados que permitam experiências sensoriais à criança. Acampe, tome banho de mar à noite, caminhe de pés descansos na areia, role nas dunas, visite um museu, sujem-se e, depois, limpem-se juntos.
- Estimule a criança a realizar atividades extraclasses como ballet, aulas de instrumentos musicais, línguas e artes marciais.
- Apresente letras e números ao seu filho o mais cedo possível. Mas lembre-se, toda atividade com crianças deve ser prazerosa, ou seja, conduzida como um jogo de forma que ela aprenda sem notar.



Winston Ling diz que pequenas ações do dia a dia podem fazer a diferença

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Tags: Educação,

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