Pâncreas biônico promete revolução contra o diabetes

17 de junho de 2014, escrito por Redação i3i, na categoria Saúde

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Foi divulgado nesta semana durante a reunião da Associação Americana de Diabetes, em San Francisco, nos Estados Unidos, um modelo de pâncreas biônico que promete trazer uma verdadeira revolução no controle do diabetes tipo 1. O novo dispositivo consiste em um smartphone que trabalha no controle contínuo no nível de glicose no sangue, conectado remotamente a duas bombas. A cada cinco minutos, o smartphone recebe uma leitura de glicose, a qual o sistema utiliza para calcular e administrar uma dose de insulina ou de glucagon no paciente. Para que o pâncreas biônico funcione, o paciente deve alimentar um aplicativo no smartphone com informações imediatamente antes de comer. Contudo, não é preciso quebrar a cabeça com cálculos complexos para chegar à dose certa de acordo com a ingestão de carboidratos prevista. O aplicativo só pergunta se a refeição será um lanche, almoço ou jantar e se o conteúdo de carboidratos será típico, maior ou menor do que o habitual.


Pesquisa utiliza smartphone para orientar uma espécie de bomba de insulina.

O pâncreas biônico foi testado com sucesso em dois ensaios clínicos de cinco dias - um em adultos e outros em adolescentes.  O relatório do estudo conduzido por  pesquisadores da Universidade de Boston (BU) e do Hospital Geral de Massachusetts (MGH) indica que, em ambos os estudos, o dispositivo superou expectativas quanto à capacidade de regular a glicose, evitar a hipoglicemia e, automaticamente, se adaptar às diferentes necessidades dos adultos e adolescentes. Em ambos os casos, os pacientes tiveram  melhora nos níveis de glicose em relação a períodos em que se submeteram ao tratamento convencional.  Otimista, Edward Damiano, PhD  do Departamento de Engenharia Biomédica da Universidade de Boston, adianta: "Não há nenhuma terapia padrão de atendimento atual que poderia igualar os resultados que vimos". 

A previsão é que o sistema chegue ao mercado em larga escala dentro de três ou quatro anos, após estudos mais detalhados e que permitam maior autonomia e confiança aos pacientes. A novidade dá esperança a milhares de famílias que convivem com medições de glicose constantes, inclusive várias vezes à noite. Exemplos como o do próprio Edward Damiano cujo filho, hoje com 15 anos, foi diagnosticado com diabetes tipo 1 aos 11 meses. Ela conta que um dos principais medos refere-se exatamente ao descontrole durante a madrugada, já que a ocorrência de hipoglicemia (queda de açúcar no sangue) pode levar à morte. "Com o sistema, os pacientes não precisariam pensar em diabetes 24 horas, sete dias por semana, nem ter que tomar constantemente decisões sobre coisas que quem não tem a doença nunca tem que pensar”, pontuou ele, referindo-se aos avanços do pâncreas biônico.  

O estudo divulgado pela Universidade de Boston nesta semana é uma revisão de pesquisa feita anteriormente com o mesmo método.  Melhorias no software que gerencia o pâncreas biônico permitiram adaptar o dispositivo a dosagens variadas e integrar hardwares mais modernos como o iPhone 4S, capaz de comunicar-se remotamente com as bombas.  O estudo atual também avançou quanto à adaptação do sistema ao cotidiano dos pacientes. Enquanto o primeiro foi feito durante 27 horas em um ambiente de internação hospitalar controlado e  refeições prescritas, agora, os voluntários ficaram em situações mais próximas do cotidiano. Apesar de precisarem dormir em um hotel e sob a supervisão de uma enfermeira 24 horas por dia, os 20 adultos testados foram autorizados a praticar exercícios e a comer o que quisessem. Já os 32 adolescentes (com idades entre 12 e 20 anos) foram avaliados em um acampamento para jovens.

FUTURO - Os pesquisadores querem, agora, aumentar os desafios. A próxima fase do estudo será um levantamento que permita ao paciente ficar em casa, desde que esteja a uma hora do centro hospitalar.  A ideia é comparar 11 dias de utilização do pâncreas biônico com o mesmo período de cuidados habituais. A pesquisa será conduzida em quatro centros: no Hospital Geral de Massachusetts; no Centro Médico da Universidade de Massachusetts, em Worcester; na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill; e na Universidade de Stanford. Os trabalhos devem começar nos próximos dias.


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Tags: Diabetes,

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