Pesquisa indica que cérebro edita nossas lembranças

22 de maio de 2014, escrito por Redação i3i, na categoria Mente

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Memórias vão sendo substituídas e recriadas ao longo da vida. Foto: Getty Images

Um estudo desenvolvido nos Estados Unidos sugere que o nosso cérebro, continuamente, insere fragmentos do presente em lembranças do passado. Ou seja, a memória se “atualiza” com as novas experiências. Segundo Donna Jo Bridge, pesquisadora da Faculdade de Medicina da Universidade Northwestern, as lembranças se adaptam a um ambiente em constante mudança para nos ajudar a lidar com o que é importante a cada momento. 

Donna explica que a nossa memória não é como uma câmera, ela se ajusta e edita eventos para recriar uma história que se encaixe no seu mundo naquele momento. Essa “edição” acontece no hipocampo, área do cérebro encarregada pela memória e que, segundo o novo estudo, atua como equivalente a um editor de vídeo e equipe de efeitos especiais, reconstruindo as lembranças.

Durante o experimento, 17 voluntários estudaram a posição de 168 objetos em uma tela de computador com imagens de fundo diferentes. Em seguida, eles deveriam tentar colocar alguns dos objetos de volta na posição original, mas em uma nova imagem de fundo. Essa tarefa foi quase sempre mal sucedida. Já na última etapa do estudo, os participantes viam um objeto em três posições diferentes na tela, com a imagem de fundo usada no primeiro teste, e deveriam escolher a correta. As opções eram: onde eles viram o objeto pela primeira vez, onde eles o colocaram na segunda etapa e um lugar novo. 

Para surpresa da pesquisadora, as pessoas sempre escolheram a mesma localização em que tinham colocado o objeto no segundo teste. Donna explica que isso mostra que a memória original da localização foi modificada para mostrar o lugar em que eles se lembravam no novo plano de fundo, ou seja, a memória tinha atualizado a informação, inserindo uma nova memória por cima da anterior. A atividade cerebral dos participantes durante a realização dos testes foi monitorada por ressonância magnética. 

A pesquisadora destaca que, apesar de o estudo ter se passado em um laboratório, é possível supor que a memória se comporte dessa forma no mundo real. O estudo é considerado o primeiro a mostrar, de forma precisa, as falhas que a memória apresenta e como ela é capaz de inserir elementos do presente no passado quando as lembranças são revividas. 


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