Prêmio internacional à poesia brasileira

11 de junho de 2014, por Redação i3i, na categoria O que nos inspira, visto 1129 vezes.

Aos 78 anos, a escritora mineira Adélia Prado foi agraciada pelo Griffin Poetry Prize, o maior prêmio de poesia do Canadá e um dos mais importantes do mundo. Na semana passada, ela esteve em Toronto, para a cerimônia de entrega, quando poetas leram trechos de seus livros para mais de mil pessoas.




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Um dos maiores nomes da literatura nacional, Adélia, que mora na cidade mineira de Divinópolis, tem suas obras reconhecidas internacionalmente. Professora por formação, exerceu o magistério durante 24 anos, até que a carreira de escritora arrebatou seus dias. Seus textos retratam o cotidiano com perplexidade e encanto, norteados pela fé cristã e permeados pelo aspecto lúdico e por temáticas femininas. 

Mulher simples, ela nasceu em 13 de dezembro de 1935 e levou uma vida pacata. Começou a escrever aos 15 anos após a morte da mãe. O reconhecimento veio anos mais tarde quando seus originais foram validados por ninguém menos do que Carlos Drummond de Andrade. Em 1975, o autor publica crônica no Jornal do Brasil chamando a atenção para o trabalho ainda inédito da escritora. O primeiro livro de Adélia, cujo título é Bagagem, foi lançado no Rio e Janeiro, em 1976, com a presença de Antônio Houaiss, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Juscelino Kubitscheck e Affonso Romano de Sant'Anna, entre outros.

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.  Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Adélia Prado

Se você não conhece a escritora, o i3i sugere a você alguns de seus livros mais aclamados. Aprecie:

- Bagagem, Imago - 1976

- A faca no peito, Rocco - 1988

- Solte os cachorros, Nova Fronteira - 1979

- Quero minha mãe - Record - 2005

- Quando eu era pequena - 2006.


Tags: Poesia,

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