Sem idade para buscar o conhecimento

21 de abril de 2014, escrito por Redação i3i, na categoria Vivendo e aprendendo

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Cearense Edson Frota, 87 anos, formou-se em Direito depois de uma vida dedicada à família. Foto: Luiz Munhoz/Ulbra

Os filhos já estão formados e com a vida encaminhada. A maioria já saiu de casa e paga as próprias contas. Com uma sobra no final do mês, é chegada a hora dos pais pensarem em voltar aos bancos da escola. Seja em um mestrado, doutorado seja até mesmo em uma nova graduação, a tarefa traz consigo muitos desafios e vem angariando novos adeptos todos os anos. A prova disso está nas estatísticas das próprias universidades. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), houve um aumento de 40% no número de idosos cursando universidade entre 2010 e 2012, ano no qual o país tinha 21 milhões de pessoas acima dos 60 anos na faculdade. E a sede de conhecimento dessa turma não para por aí. A meta é chegar a 25 milhões estudantes seniors em 2025.

Maior instituição de ensino superior do Brasil, a Universidade de São Paulo (USP) criou há 21 anos o programa Universidade Aberta à Terceira Idade. Iniciativa exitosa, o projeto busca integrar este público de uma forma diferente, já que os idosos não são obrigados a cursar uma graduação completa, mas sim disciplinas de livre escolha nos cursos integrantes do programa. E há também atividades didático-culturais e físico-esportivas, como oficinas de alfabetização digital e a gerontech, que oferece atividades de integração com o auxílio de games para promoção e manutenção do equilíbrio, flexibilidade, agilidade, atenção e raciocínio lógico. Os números do programa são superlativos. Só no ano passado foram 10.500 participantes, enquanto que, desde o lançamento, foram 127.945 pessoas.

Quem também vê aumentar o número de idosos entre seus alunos é a Ulbra, no Rio Grande do Sul. Nos nove campi espalhados pelo estado são 219 alunos com 60 anos ou mais na graduação, pós-graduação e EAD. Os cursos mais procurados são Direito, Psicologia e Tecnologia em Gestão Pública. Para o coordenador dos cursos de Gestão Pública e Ciências Políticas da Ulbra, Honor de Almeida Neto, a presença maior de idosos na universidade tem a ver com a ascensão das classes C e D na sociedade brasileira. “Muitas pessoas formam os filhos e quando têm suas vidas encaminhadas vêm buscar uma formação na volta aos estudos”, pontua.

Uma das pessoas que correu atrás do tempo perdido na mocidade foi o aposentado cearense Edson Frota, 87 anos, que se formou em Direito em agosto de 2013. Em entrevista ao site da Ulbra, contou que era de uma família muito grande e que, naquela época, estudar não estava entre as prioridades, já que o mais importante era trabalhar e ajudar os familiares.

Mesmo assim, nunca deixou de perguntar e buscar o conhecimento, tendo se transformado num autodidata, o que lhe garantiu trabalhar na Marinha e na Varig, mesmo tendo estudado muito pouco. Somente quando ingressou na terceira idade, com os filhos criados e encaminhados para o futuro, é que encontrou os estudos.


Número de idosos nas universidades brasileiras cresceu 40% em dois anos. Foto: Luiz Munhoz/Ulbra

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Tags: Universidade, Educação,

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