Você vai torcer para o Brasil na Copa?

04 de junho de 2014, escrito por Redação i3i, na categoria O que nos inspira

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Quase sete anos depois de festejar a escolha do Brasil como sede da Copa de 2014, o sentimento do povo brasileiro com relação ao Mundial de futebol mudou. A sensação de orgulho experimentada em 30 de outubro de 2007, quando da confirmação do país como sede do megaevento esportivo, parece ter sido substituída por um profundo e intrincado sentimento de decepção, descontentamento e vergonha. Apesar da paixão do brasileiro pelo futebol, a Copa do Mundo já não goza mais de unanimidade entre a torcida. Enquanto alguns se preparam para os jogos adquirindo camisetas e vuvuzelas, outros tantos têm andado apáticos e indiferentes. A poucos dias da abertura do Mundial, esse desencanto pode ser facilmente percebido pela falta de bandeiras verde-amarelas e até daquelas típicas bandeirolas de festas juninas nas cores da seleção canarinho pelas ruas.


Fique de olho no que realmente está em jogo nessa Copa. Foto: ©istock.com/alexis84

Toda essa desilusão parece estar muito associada à destinação de R$ 28 bilhões dos cofres públicos para financiamento de obras e construção e reforma dos 12 estádios que receberão os jogos.  Sentimento agravado por polêmicas e derrapadas como a declaração dada em 2011 pelo craque Ronaldo Nazário. Maior goleador da história das Copas, o ex-jogador, que integra o Comitê Organizador Local, chegou a dizer que “futebol se faz com estádio, não com hospital”, mas voltou atrás e atualmente tem criticado a forma como os investimentos para a Copa foram feitos no Brasil. Fatores que fizeram a população questionar se era realmente oportuno e apropriado um governo investir cifra tão elevada em estádios, sobretudo num país com um sistema de saúde pública tão falho e carente de recursos.

Para piorar, o Brasil se tornou um canteiro de obras inacabadas, que ampliaram o ranço e a antipatia daqueles que se opõem ao evento ao prejudicarem ainda mais o trânsito nas grandes metrópoles. Dos R$ 28 bilhões desembolsados, mais de R$ 20 bilhões foram gastos em promessas de obras portuárias, aeroportuárias e de mobilidade urbana. Um caminhão de dinheiro a mais que os R$ 3 bilhões investidos pela África do Sul para sediar a Copa de 2010 e que os R$ 4 bilhões da Alemanha em 2006. O que vem deixando os brasileiros mais críticos e receosos é o temor que, a qualquer momento, estoure no país nova onda de escândalos e denúncias de desvios e superfaturamento. E o mais grave de tudo: há dúvida se as obras deixarão o tão prometido legado à população brasileira.

Talvez por isso (ou pela soma de todos esses elementos) uma porção mais radical dos brasileiros esteja disposta a sair marchando pelas ruas e avenidas para protestar contra a Copa, o governo e a Fifa. O problema é que, sempre que isso acontece, as cidades viram verdadeiros barris de pólvora e quem arca com o ônus é a sociedade. O que resta saber é se o Brasil terá como segurar o estopim dessa crise iminente. 

Foto: Getty Images

Vaiada no jogo de abertura da Copa das Confederações, em junho do ano passado, a presidente Dilma Rousseff deve estar temerosa de um novo constrangimento público agora, às vésperas da eleição presidencial. Se a cena se repetir na cerimônia de abertura da Copa do Mundo, só uma jornada épica da Seleção poderá ajudar a garantir-lhe o segundo mandato. O hexa se tornou essencial e já virou até cabo eleitoral, ainda mais depois que Felipão e os jogadores da seleção recusaram convite dos marqueteiros da presidente para a gravação de propaganda oficial do governo. Cercados de protestos, escândalos de superfaturamento na Petrobras e de críticas à gestão de recursos para a Copa, o resultado dentro de campo, pelo menos aparentemente, foi só o que restou a ser explorado por aqueles que buscam a reeleição. 

Apesar de tudo isso, alheios e avessos à conjuntura política, nós, apaixonados torcedores brasileiros, entraremos em campo com a seleção. Em uma Copa diferente de todas as outras e em que os jogadores não voltarão para casa com um avião de carga carregado de quinquilharias. Eles já estão em casa. Por isso, cresce a responsabilidade da Família Scolari em driblar essa que, para o torcedor, será a Copa mais agridoce de todos os tempos. Será a hora da mistura entre a paixão pela camisa canarinho e o convívio com os descalabros que nos ferem a alma. Talvez a negativa da seleção à escalação política tenha sido a chave para a conquista de um prêmio maior do que a taça: o respeito do torcedor.

Foto: Getty Images

Na terça-feira, 3 de junho, em duelo amistoso contra a seleção panamenha, vibramos com a vitória de 4 a 0, sem, no entanto, esquecer o quanto tudo isso está nos custando. Nem por isso, deixamos de nos encantar com o astro Neymar, do Barcelona, que exibiu desenvoltura ao aplicar extenso repertório de dribles, como janelinha e chapéu. A atuação de gala do camisa 10 deve ter enchido de esperança o torcedor, até mesmo aquele que tem motivos de sobra para secar. Porque é justamente em Copas do Mundo que o brasileiro mais demonstra patriotismo. Política? Bom isso é assunto para se resolver em outubro!

E, você, vai torcer para o Brasil na Copa?


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