A morte da morte

26 de maio de 2014, escrito por José Luis Cordeiro

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Muita gente diz que a única certeza da vida é a morte. No entanto, graças a incríveis avanços científicos, é muito provável que a morte seja opcional em duas ou três décadas.

O History Channel levou ao ar recentemente um documentário especial chamado “Vida Eterna” (http://www.seuhistory.com/programas/vida-eterna.html), do qual participei ativamente. A ideia original desse programa de duas horas é mostrar os grandes avanços científicos que serão viabilizados para o controle do envelhecimento nos próximos anos. O programa faz um resgate das diferentes visões sobre a imortalidade, mencionando as ideias dos antigos egícpios, chineses e mesopotâmios, pasando por Juan Ponce de Leon e sua busca pela fonte da juventude até chegar aos nossos tempos.

Ainda não há tecnología para controlar o envelhecimento, mas, em duas ou três décadas, é muito provável que saibamos como fazer. Enquanto isso, a única maneira de manter uma pessoa fisicamente depois de ela ter sido declarada morta é através da criopreservação. O corpo e especialmente o cérebro (onde estão nossas memórias e todo o conhecimento acumulado) podem ser congelados agora com a esperança de serem reanimados no futuro, quando se possa curar as doenças atuais.

Na verdade, a criopreservação é rotineiramente usada hoje com óvulos, espermatozóides e embriões e corpos pequenos, mas não há registros de que se tenha revivido corpos inteiros até o momento.

Vários cientistas hoje consideram o proceso de envelhecimento como uma doença, mas o mais incrível é que seria uma doença curável, e que vamos curar e prevenir nos próximos anos. Grandes avanços com as células tronco, medicina regenerativa, biologia sintética e clonagem terapêutica, entre outras técnicas, vão permitir estender indefinidamente a vida do corpo humano em boas condições. Além disso, o sequenciamento do genoma humano está permitindo identificar a base genética e as doenças dos individuos para que se possa curá-las e preveni-las.

Também tem sido fundamental a compreensão de que as primeiras formas de vida, as bacterias unicelulares, não envelhecem. É o mesmo que dizer que a vida surgiu para viver. As células germinativas (aquelas que dão origem aos gametas reprodutivos) também não envelhecem e as células cancerígenas também descobriram como não envelhecer. Em poucas palavras, já existem células, tanto boas quanto más, que não envelhecem e logo entenderemos os segredos da longevidade indefinida. Estamos perto da revolução científica mais incrível da história: o início da vida eterna.




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José Luis Cordeiro



Nascido na América Latina, o filho de pais europeus, foi educado na Europa e na América do Norte, e tem trabalhado extensivamente em África, Ásia, Europa e nas Américas. Ele estudou, visitou e trabalhou em mais de 130 países nos 5 continentes.

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