A morte é curável?

14 de março de 2014, escrito por José Luis Cordeiro

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O envelhecimento é uma doença curável que iremos vencer em duas ou três décadas.

A morte ainda pode ser inevitável, mas segundo alguns avanços científicos o envelhecimento pode ser curável e reversível. De fato, alguns gerontólogos como o Inglês Aubrey de Grey, meu colega na Universidade da Singularidade, afirmam que o envelhecimento é uma doença, uma doença curável que iremos vencer em duas ou três décadas.

Aubrey de Grey foi um dos criadores da Fundación Matusalén – (www.mfoundation.org) e do Prêmio del Ratón Matusalén para estender a vida de ratos de laboratório. Até o momento os experimentos conseguiram estender em três vezes a vida dos animais, o que significa dizer que ratões que vivem, em média, um ano e meio alcançaram quatro anos e meio de vida. Além disso, estão sendo realizados ensaios não apenas de longevidade, mas também de rejuvenescimento. Outros experimentos conseguiram estender a vida dos mosquitos da fruta (Drosophila melanogaster) em até quatro vezes sua expectativa de vida e de alguns vermes (Caenorhabditis elegans) em até seis vezes. Todos esses resultados foram alcançados nas últimas décadas e graças ao crescimento acelerado do conhecimento e da ciência. O que se poderá alcançar nas próximas duas décadas?

Para os que ainda pensam que a imortalidade é impossível, é relevante mencionar outros organismos que são praticamente imortais. Por exemplo, as bactérias não envelhecem, simplesmente se dividem e reproduzem duplicando seus cromossomos circulares que não possuem telômeros. As células germinais de organismos multicelulares tampouco envelhecem, ainda que as células somáticas do resto do corpo o façam. As hidras também não envelhecem e poderiam ser considerados como animais imortais, ainda que possam desaparecer servindo de alimento a outros ou sofrendo doenças fatais. Ademais, existem alguns tipos de vermes e lagartixas capazes de regenerar metade de seus corpos.

Uma das doenças mais terríveis, o câncer, faz precisamente que as células cancerígenas se tornem “imortais” e sigam crescendo e se reproduzindo como se nada as detivesse. Um dos casos mais conhecidos em oncologia são as chamadas células HeLa, a primeira linha de células “imortais” e provenientes de um câncer do ano de 1951. A paciente HeLa (Henrietta Lack) morreu há 62 anos, mas suas células cancerígenas permanecem vivas.

Compreender como o câncer atinge a imortalidade abrirá uma das portas fundamentais para a imortalidade de outras cédulas e para a vida de organismos complexos. Não há dúvida de que nos próximos anos seremos testemunhas de avanços incríveis na biologia até o ponto de presenciar a morte da morte.



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José Luis Cordeiro



Nascido na América Latina, o filho de pais europeus, foi educado na Europa e na América do Norte, e tem trabalhado extensivamente em África, Ásia, Europa e nas Américas. Ele estudou, visitou e trabalhou em mais de 130 países nos 5 continentes.

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