Está ficando quente: o diagnóstico pela temperatura

03 de junho de 2014, escrito por Mariela Silveira

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Vendo a medicina como um intrigante quebra-cabeça, encontramos mais uma peça chave para a compreensão do mecanismo equilíbrio-desequilíbrio de saúde. Está ficando quente. Está ficando mais próximo. Respeitando o entendimento fisiológico, demos mais um passo em direção à possibilidade de tratamento e promoção de saúde.


Foto: Getty Images

Apesar de termos aumentado a capacidade de fazer previsões e prognósticos para o futuro, o que aconteceu especialmente devido ao aumento do lobo frontal ocorrido no processo evolutivo nos últimos dois milhões de anos, ainda assim, nosso sistema de reconhecimento, às vezes, custa a admitir aquilo que está no campo da probabilidade. De uma forma geral, o ser humano tem mais facilidade em perceber aquilo que já ocorreu, o que é visível, palpável e concreto. É por isto que falar em prevenção ainda é um desafio.

Quando conseguimos trabalhar de maneira concreta e mensurável para mostrar alterações muito precoces no nosso organismo, aquelas que ainda não foram percebidas ou sentidas, avançamos na história da medicina. Isto ocorreu muitas vezes como na análise bioquímica, no reconhecimento de microorganismos patológicos, em exames de imagem. Imaginemos ou não, quem nos ensina agora é o calor. A temperatura do nosso organismo, já mencionada em 420 a.C. por Hipócrates como um instrumento diagnóstico importante, parece ter sido pouco lembrada ao longo da história da medicina. Agora, a temperatura volta a ser valorizada, muito além daquela medida pelo termômetro na axila. Um bom exemplo disso é o exame de Termografia Computadorizada. Mais do que a temperatura corporal global, cada órgão e sistema expressa sua saúde através do frio e do calor. O corpo traz a informação, de algo que já pode ter produzido sintomatologia ou ainda não. Respeitar estes sinais é prevenir doenças.

A avançada tecnologia ressuscitou um conhecimento muito antigo e promete ainda fazer mais. Em seguida, deverá ser parte da inteligência diagnóstica de quase todas especialidades médicas e também odontológicas. Sem radiação ionizante ou invasão, esta tecnologia estará presente desde consultórios obstétricos, berçários até lares de idosos. Quiçá servirá para triagem epidemiológica em campanhas de vacinação. Provavelmente, poderá evitar o aparecimento de dor crônica e intensa, uma das piores situações que uma pessoa pode viver. Talvez no futuro, com maior informação e segurança, possa ser ainda mais difundida, como objeto de interação entre a comunidade leiga e comunidade médica. Quem sabe, daqui a muitos anos, a própria professora, ao invés de ter um termômetro, possa ter uma câmera de infravermelho para verificar seus alunos nas escolas e encaminhar para a mãe e para o médico caso algum deles tenha alteração. Talvez, essa tecnologia possa ser usada como rotina para identificar uma pessoa infectada em aeroportos e se evitar epidemias intercontinentais. Enfim, a mera temperatura seguramente passará a ser cada vez mais compreendida e valorizada. Novamente, é algo simples, mas envolvido em um desfecho extremamente complexo e impactante.



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Mariela Silveira



Dra. Mariela de Oliveira Silveira Pons é médica especialista em Nutrologia pela Universidade de São Paulo, pós-graduada em Acupuntura Médica pela Universidade Católica do Rio Grande do Sul e em Terapia Cognitivo Comportamental pela Universidade de São Paulo. Co-fundadora da Associação Mente Viva, para a promoção da paz nas escolas, hoje presente em cinco estados brasileiros. Como palestrante internacional, representou o Kurotel em eventos em Kuala Lumpur, Bali, Buenos Aires, Montevidéu, Punta del Este, Londres, Nova Iorque, Nova Delhi, Berlim. Filha do casal fundador e médica diretora do Kurotel, Centro Médico de Longevidade e Spa laureado consecutivamente como um dos seis melhores do mundo.

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