O Cérebro: o interlocutor da vida

06 de maio de 2014, escrito por Mariela Silveira

Fonte

Segundo Steve Pinker, professor de Harvard defensor da psicologia evolucionista e da teoria computacional da mente, o cérebro humano não deve mais evoluir. Pelo menos, não como ocorreu há cem mil anos, quando os primeiros crânios modernos surgiram. Naquele momento, as necessidades de sobrevivência eram diferentes dos dias atuais. Entretanto, para a evolução cultural, não restam dúvidas nem limites. Mas nossa rede neural estará preparada para tamanha explosão sensorial? Talvez, sejamos como crianças que não foram ensinadas que chocolate deve ser comido com moderação. Talvez, precisaremos amadurecer para tirarmos o melhor proveito do mundo digital.

Em um futuro próximo, quem sabe em menos de dois anos, os trabalhos científicos não só notificarão a relação do açúcar, colesterol e cigarro com doenças do coração. O número de horas dispensadas com toda a espécie de computador poderá ser relacionado com o infarto agudo do miocárdio; o horário da manhã do primeiro acesso a e-mails, com a incidência de cânceres; o número de vezes em que o sujeito desbloqueia seu celular com doenças neurodegenerativas. Hipóteses essas não distantes da nossa realidade.

Ainda há muitos caminhos que a mente humana irá explorar e deverá seguir desenvolvendo drasticamente. Possivelmente, na próxima década, evoluiremos para os celulares nos óculos, para os i-bracelets e, finalmente, para os chips transcutâneos.

Existem previsões de cientistas norte-americanos que, se continuar no mesmo ritmo, os computadores em 2025 chegarão à capacidade do cérebro. Aí, serão cérebros gerenciando “cérebros”. Nada sensacional, sem síndromes hollywoodianas. Jamais iremos querer deixar de lado tantos benefícios conseguidos por toda a ciência. Pelo contrário.

Ao mesmo tempo, a reposição da proteína RbAp48, atual promessa para ajudar a recuperar a memória dos idosos, descoberta pelo co-ganhador do Nobel de Medicina, Eric Kandel, pode se tornar realidade. Quem sabe, doenças como Alzheimer e Parkinson sejam tratadas com 100% de êxito, ou ainda, vacinas previnam absolutamente a possibilidade de tumores cerebrais.

Apenas, neste momento, precisaremos revisitar alguns conceitos e nos posicionar de uma maneira mais construtiva nesta rede de comunicação. A grande questão é: se conseguirmos nos relacionar de maneira não compulsiva com os meios tecnológicos e se cada contato for feito, de fato, com um bom monitoramento da qualidade do nosso humor, estando em estado de atenção plena, então, a tecnologia trabalhará em prol da melhora cognitiva e afetiva. Aí sim, poderemos compreender, efetivamente, que uma ação tem repercussões em progressão geométrica e que, por isso, é importante sermos mais atentos e generosos com as informações dadas a nós mesmos e aos demais. Aliás, qualquer sociedade só será, em si, bem sucedida quando seus cérebros e seus corações estiverem em compasso. Aí sim, toda a humanidade poderá ter um grande aprendizado com este período, no que diz respeito ao propósito da existência do cérebro como interlocutor da vida.



Mais colunas de Mariela Silveira


Mariela Silveira



Dra. Mariela de Oliveira Silveira Pons é médica especialista em Nutrologia pela Universidade de São Paulo, pós-graduada em Acupuntura Médica pela Universidade Católica do Rio Grande do Sul e em Terapia Cognitivo Comportamental pela Universidade de São Paulo. Co-fundadora da Associação Mente Viva, para a promoção da paz nas escolas, hoje presente em cinco estados brasileiros. Como palestrante internacional, representou o Kurotel em eventos em Kuala Lumpur, Bali, Buenos Aires, Montevidéu, Punta del Este, Londres, Nova Iorque, Nova Delhi, Berlim. Filha do casal fundador e médica diretora do Kurotel, Centro Médico de Longevidade e Spa laureado consecutivamente como um dos seis melhores do mundo.

i3i ® 2014. Todos os direitos reservados.