Os encontros de autos antigos

30 de abril de 2014, escrito por Eduardo Giez Estima

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XVI Encontro Paulista de Autos Antigos. Crédito: DT Comunicação

Você está num posto de gasolina, estaciona para abastecer uma Mercedes. Bem nova. Carro de sonho de tantos. Muitos a admiram.

Você está no mesmo posto de gasolina, estaciona um carro antigo para abastecer. As crianças aproximam-se, depois os pais, os frentistas começam a perguntar... Está feita a roda em volta do tal auto.

Carro antigo é isso, é aglutinador. É uma ferramenta de fazer amigos. Você anda numa estrada com um antigo, limpinho, bem conservado, o pessoal passa e filma, abana, tira fotos...

E assim são os encontros de carros antigos, no Brasil inteiro. No mundo todo. Desde os encontros de todas as terças à noite, no Sambódromo de São Paulo, aos riquíssimos anuais de Pebble Beach, em 17 Milles Drive, na costa californiana. Existe toda uma história, tantas versões sobre um carro, sobre seus donos, quem andou, quem reformou, são muitas informações que orgulham quem conta, enchem os ouvidos de quem as escuta. Traz sorrisos.

Numa época de tantos air bags, EBD, ABS, Head Up Display, Night Vision Mode, um carburador e um ronco gostoso enchem os ouvidos dos apaixonados por carros, como tantos brasileiros.

Escrevo sobre essa alegria às vésperas do maior encontro nacional de veículos antigos, o Paulista, que se mudou de Lindóia para Campos do Jordão e acontece neste feriado de 1° de maio. Você gosta de carros? De ver peças antigas? Miniaturas? Minicarros? Hot rods? Caminhões e ônibus antigos maravilhosos? Vá a Campos do Jordão nesse final de semana, onde, com exceção de Araxá (MG), não há nada parecido em quantidade no Brasil. São milhares de carros, tantos para venda, milhões de peças antigas e centenas de milhares de pessoas a passear entre as áreas reservadas do evento. E o evento B, nas demais ruas da cidade, tudo vale a pena. Passar o final de semana inteiro lá, não garante ver tudo. Mas vale.

O incrível é que tanto em Campos do Jordão, quanto no Forte de Copacabana no Rio, em Porto Alegre, Brasilia ou Curitiba, os encontros reúnem crianças, muitas; adolescentes, adultos e uma turma muito grande de mais velhos apaixonados por automóveis. Lembrar do carro do pai, do avô ou do vizinho, vale tudo num encontro.

Numa dessas terças feiras, estive com meu pai, que está completando 80 anos neste setembro, visitando o Sambódromo. Poucos carros. Mas o suficiente para sentar na barraca especializada em coisas para veículos militares, dos pai e filho Luiz Gonzaga e Luiz Cláudio, ambos de Almeida.


Na foto, o Luiz Gonzaga.

Fui olhar umas placas de carro para colocar em nosso Depósito. Meu pai aproveitou para sentar na cadeira do fundo da barraca. E começamos a conversar. É pra isso que ocorrem os encontros. Os negócios são consequência.

Pois o Luiz Gonzaga nos contou que, lá pelos anos 70/80, andava duro e tinha uma peça de couro. Resolveu fazer dois coletes. Era época de hippies, paz e amor e colocou as duas peças em cima de uma folha de jornal e ficou ali, na Praça da República, até aparecer um gringo, perguntar quanto era e levar as duas. Chegou em casa e falou pra esposa: -"Querida, achei a mina de ouro."

Mais do que milionário, Luiz pai formou seus dois filhos, um casal, comprou casa na cidade e apartamento na beira da praia do Forte, em São Paulo mesmo. E viveu com seu negócio na praça até o ex-prefeito Pitta (aquele, afilhado do Maluf), acabar com todos os negócios da praça. Foi através de sua banca no local que visitou feiras pelo mundo, representando o Brasil como artesão, que vestiu Ray Conniff, e tantos outros artistas famosos.

Se reinventou e, hoje, costura capotas de Jeep, especializado que é nos modelos M38, os 42, orgulhando-se de ser o único que faz uma costura idêntica à original.

Nos Estados Unidos, um amigo reserva um quarto de sua residência para os dois Luízes irem comprando peças, placas e armazenando, até fecharem um contêiner aéreo, importarem tudo para o Brasil e colocarem à venda na sua barraca itinerante de eventos de autos.

Pessoas como Luiz Gonzaga nos fazem gostar dos carros, mas mais ainda curtir momentos de encontros.

Meu pai que não saía muito de casa, saiu feliz. Eu mais ainda.


Foto dos volantes de Puma restaurados pelo Sergio Ambrogi, também expositor do Sambódromo.


Para mais conhecer, visite
www.orecruta.com.br



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Eduardo Giez Estima



Empresário apaixonado por motores como quase todos brasileiros.

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