Tenho Tempo

11 de agosto de 2014, escrito por Anmol Arora

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As pessoas estão sempre correndo. Ou pelo menos dizem que estão correndo. Ou têm a sensação de que estão correndo. Ou estão correndo mesmo. E também dizem que não têm tempo para nada. Reclamam que o dia é curto e que deveria ter mais horas: 30 horas, 40 horas, infinitas horas. Por muitos anos, principalmente quando era criança, achava que isso era verdade. Após anos de observação, concluo (longe de ser dona da verdade, pois isso deve ser um fardo terrível) que uma parte das pessoas realmente tem uma vida atribulada. A grande maioria, porém, tem tempo de sobra mal aproveitado. São desorganizadas com relação ao seu dia, não conseguem separar as prioridades do resto e acumulam tarefas sempre. Para completar, criam um problema a mais por ficarem se cobrando do que não conseguiram realizar. Agora, existe uma parcela grande, grande mesmo, de seres humanos que se sente importante ao dizer que não tem tempo. Como se fosse chic . Como se dizer que a vida é uma correria fosse atrair olhares dos outros e até uma certa admiração.




O primeiro grupo de pessoas, das que realmente são superocupadas, pode mudar eliminando tarefas menos importantes. O segundo grupo pode se organizar melhor. E o que fazer com o terceiro grupo? Pessoalmente, acho que faço parte do grupo do meio. Como buscadora do entendimento do comportamento e essência do ser humano, resolvi fazer uma experiência. A todos que me perguntavam (diga-se de passagem, aos que não me perguntavam também), decidi dizer que tenho tempo. Muito tempo. Tempo sobrando. Todos os dias. Nos primeiros meses, a surpresa foi generalizada. Como que uma médica em consultório particular, co-fundadora de uma ONG (Mente Viva) que trabalha com 25 mil crianças no Brasil, que dá cursos e palestras pelo país, mãe de um filho órfão, do lar, etc,etc,etc, diz que tem tempo?

Confesso que num primeiro momento me diverti muito com o ar de surpresa e incompreensão das pessoas. Às vezes de julgamento e crítica. Com o tempo, se acostumaram com o meu discurso onde reforçava sempre a minha agenda cheia de espaços livres para atividades, cursos e vida social. O que aconteceu foi que realmente o tempo começou a se expandir e eu passei a ter mais tempo. De verdade. Alguém poderia dizer que é resultado do poder da palavra. É possível. O que interessa é que, de lá para cá, tenho cada vez mais tempo. E o melhor de tudo é que não tem correria. Eventualmente sim. Habitualmente não.

Dizer que tenho tempo virou um mantra para mim. Quanto mais repito, maior o efeito. Faço mais coisas que antes e ainda sobra tempo para fazer nada. E me acho chic dizendo isso. Não quero interpretações para o chic. A psiquiatra aqui sou eu. E vocês vão querer saber como ando com relação à organização de compromissos durante o meu dia? Curiosidade para saber estou mais organizada. Esse assunto podemos pular... sem tempo agora para escrever...



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Anmol Arora



Nasceu na Índia em 1965. Reside no Brasil desde 1971. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Ceará. Especializou-se em Psiquiatria no Rio Grande do Sul. Trabalha numa visão humanística utilizando técnicas de autoconhecimento e Yoga. Co- autora do livro Terapias Quânticas do físico quântico Harbans Lal Arora. Co-fundadora da ONG Mente Viva que trabalha com a Meditação pela paz escolas.

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